Lhasa Apso: Personalidade, Características, Cuidados e o Que Saber Antes de Ter um

 Lhasa Apso de pelagem longa representando as características da raça

Pequeno, de pelagem longa e expressão marcante, o Lhasa Apso pode até lembrar outras raças de companhia à primeira vista, especialmente o Shih Tzu. 

Mas basta conhecer um pouco melhor sua história e suas características para perceber que ele possui uma identidade muito própria.

Originário do Tibete, o Lhasa Apso foi desenvolvido em uma região de condições climáticas severas e tornou-se um cão pequeno, robusto e atento ao ambiente. 

Hoje, divide a vida com famílias em diferentes partes do mundo e continua chamando atenção não apenas pela aparência, mas também por seu jeito seguro, observador e, muitas vezes, mais reservado diante de pessoas desconhecidas.

Mas como é realmente conviver com um Lhasa Apso? 

Ele é bravo? 

Inteligente? 

Pode viver em apartamento? 

É adequado para famílias com crianças? 

E como diferenciá-lo de um Shih Tzu?

Conhecer a raça ajuda a responder essas perguntas — mas também é importante lembrar que nenhum padrão consegue definir completamente a personalidade de um cão individual.

Origem do Lhasa Apso: uma raça que veio do Tibete

O Lhasa Apso tem origem no Tibete, enquanto a Grã-Bretanha aparece como país patrono da raça na Federação Cinológica Internacional (FCI). Ele pertence ao Grupo 9, destinado aos cães de companhia, dentro da seção de raças tibetanas, e possui o padrão FCI nº 227.

Sua história ajuda a compreender algumas de suas características físicas.

O padrão da raça explica que muitos desses cães viviam em grandes altitudes, enfrentando condições climáticas rigorosas. 

A pelagem longa e resistente, acompanhada de subpelo, oferecia proteção contra o frio, enquanto os pelos da cabeça ajudavam a proteger os olhos do vento, da poeira e da luminosidade intensa. 

Os primeiros exemplares chegaram à Grã-Bretanha no início da década de 1920 e pouco depois começaram a aparecer em exposições em Londres.

Portanto, apesar de atualmente ser conhecido principalmente como cão de companhia, sua aparência não surgiu apenas por uma questão estética. Há uma história por trás daquela pelagem tão característica.

Como é o Lhasa Apso?

Segundo o padrão da FCI, o Lhasa Apso deve apresentar aparência equilibrada, robusta e com pelagem abundante.

O corpo é compacto e ligeiramente mais comprido do que alto. 

Os olhos são escuros, de tamanho médio e formato oval. 

As orelhas são caídas e bastante cobertas por pelos. Já a cauda tem inserção alta, é bem franjada e normalmente é carregada sobre o dorso.

É justamente essa combinação de corpo pequeno, pelagem longa, orelhas cobertas de pelos e cauda sobre o dorso que contribui para a aparência tão conhecida da raça.

Lhasa Apso adulto de pelagem longa mostrando as características físicas da raça

Qual é o tamanho do Lhasa Apso?

O padrão da FCI estabelece como altura ideal para os machos aproximadamente 25,4 cm na cernelha, sendo as fêmeas ligeiramente menores.

Portanto, o Lhasa Apso é considerado um cão de porte pequeno.

Como acontece em qualquer raça, porém, cães encontrados fora das exposições podem apresentar alguma variação de tamanho e estrutura.

Como é o focinho do Lhasa Apso?

Essa é uma dúvida importante, especialmente porque o Lhasa Apso costuma ser comparado ao Shih Tzu.

O padrão oficial descreve um focinho com cerca de 4 cm, que não deve ser quadrado. 

A distância da ponta do nariz até a parte posterior do crânio segue uma proporção na qual o focinho representa aproximadamente um terço desse comprimento total.

Isso significa que não devemos imaginar que quanto mais curto e achatado for o focinho, mais típico será o Lhasa Apso.

O Lhasa Apso é braquicefálico?

O termo braquicefálico é utilizado para cães que apresentam conformação craniana com focinho encurtado. 

Fontes veterinárias incluem o Lhasa Apso entre as raças que podem apresentar essa conformação, embora existam diferenças importantes no grau de encurtamento facial entre raças e também entre indivíduos.

Isso é importante porque braquicefalia não deve ser tratada simplesmente como uma característica estética. 

Alterações anatômicas mais acentuadas podem estar associadas a dificuldades respiratórias em alguns cães.

Ao escolher um filhote, portanto, faz mais sentido observar saúde, estrutura funcional e respiração confortável do que procurar características físicas exageradas.

Como é a pelagem do Lhasa Apso?

A pelagem é certamente uma das características que mais chamam atenção.

Segundo a FCI, o pelo de cobertura deve ser longo, pesado, reto e de textura firme, não devendo ser lanoso. 

A raça também apresenta subpelo moderado. O próprio padrão ressalta que a quantidade de pelos não deve prejudicar a movimentação nem a visão do cão.

Por isso, aquela imagem de um Lhasa com pelos cobrindo completamente os olhos não deve ser entendida como obrigação estética.

Uma pelagem longa exige dedicação. 

Escovação, desembaraço, higiene e observação da pele precisam fazer parte da rotina, com frequência ajustada ao comprimento da pelagem e às necessidades daquele cão.

Quem prefere manter o pelo mais curto também precisa continuar atento à pele, às orelhas, aos olhos e às regiões em que nós podem se formar.

Lhasa Apso pode ser preto?

Sim.

E preto está longe de ser a única possibilidade.

O padrão FCI aceita diversas cores, entre elas dourado, areia, mel, tons acinzentados, ardósia, fumaça, particolor, preto, branco e marrom, sem estabelecer superioridade entre elas.

Lhasa Apsos com diferentes cores de pelagem

Portanto, um Lhasa Apso preto não representa uma raça ou variedade diferente.

Como é a personalidade do Lhasa Apso?

Por ser um cão de porte pequeno e aparência delicada, algumas pessoas podem imaginar que o Lhasa Apso será naturalmente sociável e receptivo com todos. 

Mas conhecer melhor a raça mostra que seu comportamento pode ser bem mais particular do que essa primeira impressão sugere.

A FCI descreve o Lhasa Apso como um cão alegre, seguro de si, alerta e estável, podendo demonstrar certa reserva diante de estranhos.

Isso ajuda a entender por que alguns Lhasas observam primeiro antes de se aproximar de uma pessoa desconhecida.

Não significa que devam ser agressivos ou permanentemente desconfiados. Significa apenas que uma postura mais seletiva socialmente pode fazer parte das características encontradas na raça.

E existe uma diferença importante entre ser reservado e ser bravo.

Lhasa Apso é bravo?

Não é adequado definir uma raça inteira como “brava”.

Comportamento resulta da interação de vários fatores, incluindo genética, experiências, socialização, ambiente, aprendizado, saúde e personalidade individual.

A própria descrição da FCI não caracteriza agressividade como comportamento típico. Ela fala em um cão alerta, estável e um pouco reservado com estranhos.

Um cão que rosna, evita contato ou reage a determinadas situações também pode estar demonstrando medo, desconforto, dor ou necessidade de distância. Interpretar tudo simplesmente como “braveza” pode esconder o que realmente está acontecendo.

Lhasa Apso é dócil?

Muitos Lhasas desenvolvem relações próximas e afetuosas com suas famílias, mas “dócil” também não deve ser tratado como uma garantia associada à raça.

Alguns podem procurar bastante proximidade; outros podem demonstrar afeto de maneira mais independente. Alguns recebem visitantes rapidamente; outros preferem observar primeiro.

É justamente aí que conhecer o cão que está diante de nós se torna tão importante quanto conhecer sua raça.

Lhasa Apso é inteligente?

Inteligência canina não é uma característica única que possa ser resumida simplesmente em “inteligente” ou “não inteligente”.

Cães podem demonstrar diferentes capacidades relacionadas à aprendizagem, resolução de problemas, comunicação e adaptação ao ambiente.

No caso do Lhasa Apso, sua descrição histórica e comportamental apresenta um cão atento e observador. 

Isso não significa, entretanto, que todos aprenderão da mesma maneira ou responderão igualmente às mesmas atividades.

O melhor é evitar transformar inteligência em uma competição entre raças.

Lhasa Apso é ciumento?

“Ciumento” é uma palavra frequentemente usada pelos tutores para descrever comportamentos como aproximar-se quando outra pessoa ou animal recebe atenção, tentar interromper uma interação ou disputar proximidade.

Mas não há base para afirmar que ser ciumento seja uma característica obrigatória do Lhasa Apso.

Se um comportamento relacionado à disputa por atenção aparecer, vale observar o contexto e o indivíduo em vez de concluir simplesmente que “Lhasa é assim”.

Lhasa Apso late muito?

Por ser uma raça descrita como alerta e atenta ao ambiente, alguns indivíduos podem vocalizar diante de sons, movimentações ou chegada de pessoas.

Mas a quantidade de latidos varia bastante.

Ambiente, rotina, experiências anteriores, estímulos externos e comportamento individual podem influenciar muito mais do que uma simples descrição da raça.

Por isso, “Lhasa Apso late muito?” não possui uma resposta que sirva para todos.

Lhasa Apso é bom para apartamento?

O porte pequeno pode facilitar a vida em espaços menores, mas tamanho do imóvel e qualidade de vida não são a mesma coisa.

Um Lhasa Apso pode viver muito bem em apartamento quando suas necessidades físicas, sociais e comportamentais são atendidas.

Passeios compatíveis com suas condições, oportunidades de explorar o ambiente, interação com a família, momentos de descanso e atividades que ofereçam estímulos continuam importantes.

Um quintal grande, por outro lado, não substitui automaticamente essas experiências.

O mais importante não é apenas perguntar se o cão “cabe” no apartamento, mas se a rotina da família consegue acomodar as necessidades daquele cão.

Lhasa Apso é bom para crianças?

A convivência pode ser muito positiva, mas raça e porte pequeno não garantem automaticamente compatibilidade com crianças.

Crianças convivendo com um Lhasa Apso em ambiente familiar

É preciso considerar a personalidade do cão, suas experiências anteriores, a idade da criança e principalmente a forma como as interações acontecem.

Crianças precisam aprender que cães também necessitam de espaço e descanso. 

Abraçar à força, puxar pelos, incomodar enquanto dormem ou insistir em contato quando o animal tenta se afastar não são interações adequadas.

Da mesma forma, especialmente com crianças pequenas, a presença e supervisão de um adulto são importantes.

A melhor convivência acontece quando tanto o cão quanto a criança têm seus limites respeitados.

E a convivência com outros cães?

Não existe uma regra segundo a qual todo Lhasa Apso irá gostar — ou não — de outros cães.

Socialização, experiências anteriores, temperamento, contexto dos encontros e características dos próprios animais influenciam essa relação.

Apresentações graduais e respeito aos sinais dos cães tendem a ser muito mais úteis do que esperar compatibilidade automática apenas por causa da raça.

Quanto exercício um Lhasa Apso precisa?

Ser pequeno não significa não precisar de atividade.

Passeios, exploração pelo olfato, brincadeiras e interação fazem parte de uma rotina saudável. 

Ao mesmo tempo, a quantidade e a intensidade precisam respeitar idade, condição física, temperatura e saúde de cada indivíduo.

Filhotes, adultos e cães idosos não necessariamente terão o mesmo ritmo.

E essa necessidade pode mudar ao longo da vida.

Saúde do Lhasa Apso: o que merece atenção?

Conhecer predisposições encontradas em estudos não significa esperar que um cão fique doente.

Essas informações servem principalmente para mostrar quais aspectos merecem acompanhamento e observação ao longo da vida.

Olhos e produção de lágrimas

Um grande estudo do programa VetCompass avaliou registros de 363.898 cães atendidos em clínicas veterinárias no Reino Unido e investigou a ceratoconjuntivite seca (KCS), conhecida popularmente como “olho seco”.

O Lhasa Apso esteve entre as raças que apresentaram maior associação com o diagnóstico em comparação aos cães mestiços utilizados como referência estatística. 

No conjunto estudado, a prevalência registrada de KCS entre Lhasa Apsos foi de aproximadamente 1,86%, e a análise ajustada encontrou odds significativamente maiores para a raça.

Esses números pertencem àquela população e àquele período e não significam que um determinado Lhasa desenvolverá a condição.

Secreção ocular persistente, vermelhidão, desconforto ou alterações nos olhos merecem avaliação veterinária.

Luxação de patela

A luxação patelar também aparece em estudos envolvendo cães de pequeno porte.

Em uma pesquisa com cães atendidos em clínicas veterinárias de atenção primária na Inglaterra, foram avaliados 1.686 Lhasa Apsos, e 3,8% apresentaram registro de luxação patelar. 

Entre os cães mestiços utilizados como comparação, a prevalência registrada foi de 1,2%.

Novamente, 3,8% não deve ser apresentado como a probabilidade de qualquer Lhasa ter luxação de patela. Trata-se do resultado de uma população veterinária específica.

Mudanças na maneira de caminhar, apoio intermitente de uma pata ou sinais de desconforto locomotor justificam avaliação profissional.

Saúde bucal

Os dentes também merecem atenção.

Um estudo epidemiológico do VetCompass sobre doença periodontal encontrou maiores odds de diagnóstico no Lhasa Apso em comparação aos cães mestiços utilizados como referência, com odds ratio ajustada de aproximadamente 2,24.

Isso reforça a importância de não tratar mau hálito intenso, gengivas alteradas ou dificuldade para mastigar como algo simplesmente “normal” em cães pequenos.

A orientação veterinária sobre higiene oral e acompanhamento odontológico pode fazer parte dos cuidados preventivos ao longo da vida.

Pele

Também temos pesquisa realizada no Brasil.

Um estudo publicado na Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, com participação da Universidade Metodista de São Paulo, avaliou Lhasa Apso, Yorkshire Terrier, Shih Tzu e Pug que já haviam sido diagnosticados com dermatite atópica.

Nos Lhasa Apsos estudados, falanges e regiões entre os dedos apareceram entre as áreas mais acometidas. 

Entretanto, como os animais da pesquisa já tinham dermatite atópica, o trabalho não permite concluir qual é a prevalência da doença entre todos os Lhasa Apsos.

Essa distinção é importante.

Coceira persistente, vermelhidão, feridas, alterações na pele ou lambedura excessiva das patas merecem investigação veterinária em vez de tratamentos improvisados em casa.

Quanto tempo vive um Lhasa Apso?

Essa é outra pesquisa muito comum no Google.

Um grande estudo britânico de longevidade publicado em 2024 analisou dados de cães de diferentes raças. 

Para o Lhasa Apso, a mediana estimada de expectativa de vida foi de 14 anos, com base em milhares de cães daquela população.

Isso não significa que todo Lhasa viverá exatamente 14 anos.

Longevidade individual é influenciada por muitos fatores, incluindo genética, doenças, cuidados veterinários, alimentação, condição corporal, ambiente e circunstâncias particulares de cada cão.

Mais importante do que transformar uma mediana populacional em promessa é compreender que um cão pode permanecer conosco por muitos anos — e que suas necessidades provavelmente mudarão durante esse caminho.

Envelhecer ao lado de um cão também faz parte do compromisso assumido quando ele chega à família.

Lhasa Apso filhote: pequeno desde cedo, compromisso por muitos anos

Um filhote de Lhasa Apso pode conquistar facilmente pela aparência, mas a escolha não deveria terminar nela.

A infância é justamente o período em que começam experiências importantes com pessoas, ambientes, manipulação corporal, cuidados com a pelagem e rotina doméstica.

Também é um bom momento para acostumar gradualmente o cão a procedimentos que provavelmente farão parte de sua vida, como escovação, cuidados com patas, olhos, orelhas e boca — sempre de maneira respeitosa e adequada à idade.

E aquele filhote pequeno crescerá.

Antes de levá-lo para casa, vale pensar não apenas na fase mais encantadora dos primeiros meses, mas em toda a vida que virá depois.

Existe Lhasa Apso mini?

“Lhasa Apso mini” não é uma variedade separada reconhecida pela FCI.

O padrão oficial é o mesmo para a raça e estabelece uma altura ideal de aproximadamente 25,4 cm para os machos, com fêmeas ligeiramente menores.

Naturalmente podem existir indivíduos menores ou maiores, mas isso é diferente de reconhecer oficialmente categorias como “mini”, “micro” ou semelhantes.

Por isso, anúncios que utilizam esses termos não devem ser interpretados automaticamente como denominações oficiais da raça.

Mais importante do que procurar o menor cão possível é priorizar saúde, procedência e criação responsável.

Lhasa Apso é mistura de quais raças?

O Lhasa Apso não é classificado pela FCI como uma mistura, mas como uma raça reconhecida definitivamente, com padrão próprio nº 227. 

A FCI registra sua origem no Tibete e seu reconhecimento definitivo em 1960.

A história das raças caninas pode envolver relações ancestrais complexas, mas isso é diferente de dizer que o Lhasa Apso atual seja simplesmente a “mistura de duas raças”.

E essa pergunta nos leva a uma confusão muito comum.


Lhasa Apso ou Shih Tzu? Veja Como Diferenciar as Duas Raças

À primeira vista, Lhasa Apso e Shih Tzu podem realmente parecer muito semelhantes, principalmente quando estão com a pelagem longa.

A semelhança é tamanha que algumas pessoas têm dificuldade para identificar qual das duas raças estão vendo — e podem até acreditar estar diante de um Shih Tzu quando o cão é um Lhasa Apso.

Mas Lhasa Apso e Shih Tzu são raças distintas, cada uma com seu próprio padrão oficial.

Curiosamente, o próprio histórico oficial do padrão do Shih Tzu reconhece que as pessoas tendem a confundir as duas raças.

                                 Lhasa Apso e Shih Tzu de pelagem longa lado a lado mostrando diferenças entre as duas raças   
Ambas estão classificadas pela FCI entre as raças tibetanas do Grupo 9, mas o Lhasa Apso possui o padrão nº 227 e o Shih Tzu, o padrão nº 208.

Uma das diferenças pode ser observada na cabeça e no focinho. 

O padrão do Lhasa descreve um focinho com aproximadamente 4 cm e cerca de um terço do comprimento total da ponta do nariz à parte posterior do crânio. 

Já o Shih Tzu apresenta características próprias de cabeça e conformação facial em seu padrão.

O formato geral do corpo e as proporções também não são idênticos.

Há ainda diferenças na descrição do temperamento. 

Enquanto o Lhasa Apso é descrito oficialmente como alerta, estável e podendo ser reservado com estranhos, o Shih Tzu possui sua própria descrição comportamental no padrão da raça.

Por isso, a cor ou o comprimento do pelo, sozinhos, não são maneiras confiáveis de diferenciar os dois.

Conhecer a procedência do cão e observar o conjunto das características é muito mais adequado do que tentar identificar a raça por um único detalhe físico.

Se você quiser conhecer melhor a outra raça, temos também um artigo completo sobre o Shih Tzu aqui no blog.

Alimentação do Lhasa Apso

Não existe uma alimentação definida apenas pelo fato de o cão ser um Lhasa Apso.

Idade, peso, condição corporal, nível de atividade, estado de saúde e características individuais influenciam as necessidades nutricionais.

Um filhote em crescimento, um adulto ativo e um Lhasa idoso podem precisar de abordagens diferentes.

Também é importante observar mudanças de peso ao longo da vida. 

O fato de a pelagem ser volumosa pode dificultar a percepção visual da condição corporal, tornando a observação e o acompanhamento ainda mais relevantes.

Quando houver doenças, necessidades especiais ou dúvidas sobre quantidade e tipo de alimento, a orientação individual de um médico-veterinário ou profissional habilitado em nutrição animal é a escolha mais segura.

Para quem o Lhasa Apso pode combinar?

O Lhasa Apso pode ser um companheiro interessante para quem procura um cão pequeno, atento e muito presente na rotina familiar — e entende que aquela bela pelagem também traz responsabilidades.

Mulher abraçando um Lhasa Apso em momento de carinho e convivência em casa

Pode se adaptar a diferentes tipos de moradia, inclusive apartamentos, desde que suas necessidades sejam atendidas.

Por outro lado, talvez não seja a escolha mais compatível para quem procura um cão que necessariamente receba qualquer desconhecido com entusiasmo, que não demande cuidados frequentes com a pelagem ou que possa passar a maior parte da vida sem interação e estímulos.

Também é importante considerar os custos e cuidados que acompanham um cão por muitos anos: alimentação, acompanhamento veterinário, higiene, cuidados dentários e com a pelagem, prevenção e eventuais necessidades de saúde.

Mais importante do que perguntar apenas “eu gosto de Lhasa Apso?” é perguntar:

“Como seria dividir minha rotina e os próximos anos da minha vida com um Lhasa Apso?”

Antes de Escolher um Lhasa Apso

Se a decisão for pela compra de um filhote, procure conhecer cuidadosamente a origem do cão.

Um criador responsável não deveria se preocupar apenas com aparência ou tamanho. 

Saúde dos cães utilizados na reprodução, condições em que vivem, bem-estar, histórico familiar e transparência com quem pretende receber o filhote também importam.

Desconfie de promessas baseadas exclusivamente em características extremas ou termos comerciais como “micro” e “mini”.

E não se esqueça de que adoção também pode ser uma possibilidade. 

Cães de raça podem chegar a abrigos, organizações de proteção ou famílias que procuram um novo lar responsável.

Independentemente do caminho escolhido, a decisão precisa considerar algo muito maior do que a aparência do cão.

Um Pequeno Cão com uma Longa História

Por trás da pelagem que chama atenção existe uma raça que atravessou uma história muito maior do que aquela que vemos hoje nos cães de companhia.

O Lhasa Apso saiu de uma região de grandes altitudes e clima severo para ocupar sofás, apartamentos e casas em diferentes partes do mundo. 

Ainda assim, algumas características descritas há muito tempo continuam ajudando a compreender esse pequeno cão atento, seguro e observador.

Conhecer sua origem, suas características e os cuidados que pode precisar é uma maneira de chegar mais preparado para a convivência.

Mas existe algo que nenhum padrão de raça consegue antecipar.

O Lhasa que chega à sua casa terá sua própria personalidade, suas preferências, seus medos, seus hábitos e sua maneira particular de demonstrar afeto.

A raça oferece pistas.

A convivência é que apresenta o cão.

E talvez uma das partes mais bonitas de compartilhar a vida com um deles seja justamente descobrir, aos poucos, quem existe por trás de toda aquela pelagem. 

Se você chegou até aqui porque já divide a vida com um Lhasa Apso, espero que tenha encontrado neste artigo um pouco do cão que conhece e ama. E se ainda está pensando em receber um deles em sua família, espero que estas informações ajudem você a fazer essa escolha com carinho, responsabilidade e pensando em toda a vida que poderá compartilhar com ele.

Obrigada por estar aqui e por dedicar um pouco do seu tempo a conhecer melhor esses companheiros que tornam a nossa vida tão especial.

Até o próximo encontro, aqui, Na Companhia de um Cão. 🐾🤎


Aviso Importante

Este conteúdo tem caráter informativo e foi elaborado a partir de referências cinófilas, veterinárias e científicas. Ele não tem a finalidade de diagnosticar doenças, indicar tratamentos ou substituir a avaliação individual de um médico-veterinário.



Fontes e Referências

Fontes brasileiras

  • CBKC — Confederação Brasileira de Cinofilia — padrão oficial de referência do Lhasa Apso no Brasil.
    Acessar fonte: CBKC
  • CRMV-SP — Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia — estudo sobre o padrão lesional de cães com dermatite atópica, incluindo Lhasa Apso.
    Acessar fonte: CRMV-SP
  • Fontes internacionais

    • Federação Cinológica Internacional (FCI) — padrão oficial nº 227 do Lhasa Apso.
      Acessar fonte: FCI — Lhasa Apso
    • FCI — Registro oficial do Lhasa Apso — origem, reconhecimento e classificação da raça.
      Acessar fonte: FCI — Registro da raça
    • Cornell University College of Veterinary Medicine — referência veterinária sobre braquicefalia e alterações respiratórias.
      Acessar fonte: Cornell University
    • VetCompass / PubMed — estudo epidemiológico sobre ceratoconjuntivite seca (olho seco).
      Acessar fonte: PubMed
    • VetCompass — estudo epidemiológico sobre luxação de patela.
      Acessar fonte: Estudo sobre luxação de patela
    • VetCompass — estudo epidemiológico sobre doença periodontal.
      Acessar fonte: Estudo sobre doença periodontal
    • Scientific Reports (2024) — estudo de McMillan e colaboradores sobre longevidade de cães.
      Acessar fonte: Estudo sobre longevidade
    • Federação Cinológica Internacional (FCI) — padrão oficial nº 208 do Shih Tzu, utilizado na comparação entre as duas raças.
      Acessar fonte: FCI — Shih Tzu





0 Comentários

Postar um comentário

Post a Comment (0)

Postagem Anterior Próxima Postagem