Quando alguém decide ter um cachorro, é muito comum que a primeira imagem que venha à cabeça seja a de um filhote. Pequeno, desajeitado, curioso, descobrindo a casa e aprendendo tudo pela primeira vez.
E é difícil não se apaixonar por eles, mas existe uma parte dessa história sobre a qual pouca gente fala: o filhote cresce. E cresce rápido.
Aquele cachorrinho minúsculo que chegou cabendo no colo começa a desenvolver sua própria personalidade, ganha tamanho, demonstra uma energia que parece não ter fim e começa a revelar preferências e comportamentos que nem sempre eram possíveis de prever quando ele tinha poucos meses.
Do outro lado está o cão adulto.
Ele talvez não tenha mais aquele jeito de bebê que costuma despertar atenção imediata, mas chega com algo que um filhote ainda não consegue mostrar completamente: muito do cachorro que ele é já pode estar diante de você.
Seu tamanho é conhecido. Seu nível de energia pode ser mais fácil de perceber. Alguns hábitos já aparecem. Dependendo da sua história, também pode ser possível conhecer um pouco da maneira como se relaciona com as pessoas e diferentes ambientes.
Isso não significa que escolher um cão adulto seja necessariamente mais fácil.
Significa apenas que filhotes e adultos apresentam experiências diferentes de convivência — e talvez a pergunta mais importante não seja qual deles é melhor, mas qual realidade cabe na vida que você tem hoje.
Se você ainda está na etapa anterior e se perguntando se este é o momento certo para ter um cachorro, também vale conferir nosso artigo sobre o que considerar antes de tomar essa decisão.
Ter um filhote é acompanhar um cachorro aprendendo a viver no seu mundo
Existe algo realmente especial em acompanhar as primeiras descobertas de um filhote.
A primeira noite em casa. O primeiro brinquedo preferido. As primeiras brincadeiras. Aquele jeito atrapalhado de correr. A descoberta de sons, pessoas, lugares e cheiros que para nós são completamente comuns, mas para eles podem ser novidade.
Só que, junto dessas primeiras vezes, vêm outras bem menos comentadas. E sim pode haver xixi onde não deveria, ter objetos mordidos pela casa, noites interrompidas, necessidade de supervisão e uma energia que parece se renovar justamente quando a sua acabou.
Você chega cansado e encontra alguma pequena destruição. Resolve uma coisa e percebe outra. Guarda o chinelo e descobre que o interesse agora é pelo tapete e provavelmente essa não será a última surpresa.
E haverá momentos em que você olhará para aquele pequeno filhote e se perguntará como alguém tão pequeno e meigo consegue dar tanto trabalho. Pouco depois, ele estará dormindo todo encolhidinho, talvez com as patinhas para cima ou em alguma posição engraçada, e bastará olhar para ele para boa parte daquela irritação simplesmente desaparecer. Faz parte dessa fase.
Por isso, desejar um filhote e ter disponibilidade para viver a fase de filhote são coisas diferentes.
Não se trata de ter uma rotina perfeita ou passar o dia inteiro em casa. Trata-se de compreender que, durante algum tempo, aquele filhotinho dependerá bastante de você para conhecer a rotina da casa, aprender limites, desenvolver hábitos e se sentir seguro no novo ambiente.
E há outra coisa importante: o filhote que você escolhe hoje não permanecerá filhote para sempre.
Antes de se apaixonar apenas por aquele rostinho de poucos meses, vale pensar no cachorro que estará ao seu lado quando ele tiver dois, cinco, dez anos ou mais.
Porque é esse compromisso que realmente está começando.
Um cão adulto não chega como uma página em branco — e talvez isso não seja um problema
Quando a escolha é por um cão adulto, a experiência começa de outro ponto.
Ele já viveu coisas antes de conhecer você.
Pode ter vindo de outra família, de um abrigo, de um resgate ou simplesmente estar procurando uma nova casa porque as circunstâncias da vida de quem cuidava dele mudaram.
Alguns chegam confiantes e rapidamente exploram cada canto da casa. Outros observam de longe antes de se aproximar. Alguns parecem entender a nova rotina em poucos dias; outros precisam de semanas ou meses para se adaptar
E isso nos leva a uma frase que aparece bastante quando alguém considera um cachorro adulto:
“Eu queria pegar um filhote para criar do meu jeito.”
Vale pensar um pouco sobre o que existe por trás dessa ideia.
Um cão adulto certamente traz experiências anteriores. Pode ter hábitos já estabelecidos e também comportamentos que precisarão ser compreendidos ou trabalhados. Mas um filhote também não é uma página completamente em branco cuja personalidade será determinada apenas pela maneira como a família o criar.
Genética, temperamento individual, experiências, socialização e ambiente também participam da formação daquele cão.
E o adulto continua sendo capaz de aprender.
Pode aprender uma nova rotina. Novos horários. Novos lugares para dormir. Novas pessoas em quem confiar. Pode descobrir novas brincadeiras e compreender aos poucos o funcionamento daquela casa.
E, principalmente, pode construir novos vínculos.
Um cão adulto pode começar uma nova história
Existe uma dúvida que pode surgir quando pensamos em acolher um cachorro que já viveu alguns anos com outras pessoas: será que ele conseguirá se adaptar a uma nova família e criar um vínculo tão forte quanto criaria se tivesse chegado filhote?
Eu mesma descobri que isso é possível quando vivi essa experiência.
Quando adotei a Tiffany, ela estava perto de completar oito anos e vinha de outra família. Até então, ela tinha outro nome. Ela havia passado por momentos difíceis e chegou à minha casa bastante abatida, como se toda aquela mudança ainda fosse grande demais para ela compreender.
No dia em que chegou, conversei com ela.
Disse que aquela era uma nova casa, uma nova família e que, dali para frente, eu seria sua mamãe. Também disse que seu nome agora seria Tiffany.
Pode parecer apenas uma daquelas conversas que temos com nossos cães — e quem convive com eles sabe quantas são —, mas algo aconteceu muito rápido: em aproximadamente três dias, ela já atendia pelo novo nome.
E não foi somente o nome que mudou.
Aos poucos, aquela cachorrinha que chegou tão abatida começou a mostrar outro lado. Ficou mais animada, feliz, brincalhona e extremamente carinhosa. Com o tempo, passou a me acompanhar pela casa e tornou-se aquilo que eu costumava brincar que era: a minha sombra.
Mas, para mim, ela era principalmente a minha menininha.
Tiffany não chegou filhote. Eu não acompanhei seus primeiros meses, não estava presente em suas primeiras descobertas e havia uma parte de sua história que aconteceu antes de nós nos encontrarmos.
Ainda assim, construímos uma relação profundamente nossa.
A experiência com ela me ensinou algo que números e listas de vantagens dificilmente conseguem explicar: um cão não precisa chegar no começo da vida para começar uma nova história com alguém.
Isso também não significa que todo cão adulto se adaptará em três dias.
Cada cachorro chega com sua personalidade, suas experiências e seu próprio tempo. Alguns rapidamente parecem entender que estão em casa. Outros podem precisar de semanas ou meses até demonstrarem confiança e segurança.
Principalmente quando pouco se conhece sobre seu passado, talvez seja necessário permitir que esse relacionamento seja construído aos poucos.
A história da Tiffany foi a história dela.
A do seu cão poderá ser completamente diferente.
Talvez você esteja escolhendo uma fase da vida, e não uma idade
No fim, não existe uma resposta certa para a pergunta: é melhor escolher um cachorro filhote ou adulto?
Um filhote traz a experiência de acompanhar muitas primeiras vezes, mas também uma fase que costuma exigir bastante supervisão, paciência e disponibilidade.
Um cão adulto chega em outro momento. Parte de sua personalidade e de seus hábitos pode ser mais perceptível, mas ainda haverá adaptação, aprendizado e espaço para construir uma relação completamente nova.
Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja simplesmente “qual deles eu prefiro?”, mas:
“Qual dessas fases combina com a vida que eu tenho hoje?”
Porque um filhote pode chegar para começar a vida ao seu lado, enquanto um cão adulto pode encontrar você quando sua história já começou.
Nos dois casos, uma nova história começa quando vocês passam a escrevê-la juntos e essa decisão só você poderá tomar, independentemente qual for a sua escolha espero que após ler este artigo possa te ajudar de alguma forma na decisão ideal para o seu momento de vida hoje e que vocês possam criar muitas histórias, memórias e alegrias juntos, vou ficar torcendo por vocês. Obrigada pela sua visita e seja sempre bem-vindo(a) por aqui. 🐾🤎

Postar um comentário